Estudo Britânico com Dexametasona deve ser avaliado com critério até a sua publicação

O Dr. Alexandre Schwarzbold, presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia (SRGI), avaliou com cautela os resultados da pesquisa divulgada ontem (16/06/2020) pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, sobre o uso do corticoide Dexametasona, que indicou a redução de um terço nas mortes de pacientes com Covid-19 em ventilação pulmonar ou em uso do oxigênio. Em entrevista à Rádio Gaúcha o especialista disse que o resultado parece auspicioso, mas somente depois que o documento for publicado, será possível avaliar fatores de ressalvas que podem ser feitos ao estudo, principalmente quando se analisa um desfecho duro como mortalidade.

O estudo aponta uma redução em torno de 15 a 17% das mortes no todo, com índice maiores em torno de 20 a 33% em pacientes com necessidade de receber oxigênio e sob ventilação mecânica, respectivamente. O Dr. Alexandre explicou que a Dexametasona é um remédio acessível de baixo custo e com produção local que já é amplamente usado pelos médicos para tratar de inflamações pulmonares, mas que agora aparece nas pesquisas como uma medicação que pode ajudar no combate à Covid-19.

O Dr. Schwarzbold disse ser importante um olhar crítico sobre esse estudo, mas se mostrou otimista, pressupondo que o benefício suplanta os riscos. “Estamos diante de uma infecção sistêmica onde a Ciência é muito dinâmica, fato que poderá revelar resultados mais específicos para serem melhor analisados em poucas semanas”, afirmou. A nota dos pesquisadores britânicos demostrou que dose diária de 6 mg de Dexametasona por 10 dias apontou redução de mortalidade em pacientes com ventilação mecânica e daqueles que necessitam de oxigênio. Para o médico, a pesquisa mostra a importância de se fazer ensaios clínicos de alta qualidade. Ele advertiu que a Dexametasona é um imunossupressor, ou seja, um medicamento que reduz as defesas do corpo e é por isso que não pode ser usado indiscriminadamente, mas em casos específicos, conforme a avaliação médica, principalmente nos estágios finais da Covid-19.

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